Mato Grosso do Sul Senar/MS
Jovens transformam a macaúba em oportunidade de renda para mulheres rurais em Nova Andradina
Iniciativa nascida no programa no Jovem Sucessor Rural leva conhecimento técnico e renda a comunidade rural
06/01/2026 14h49
Por: Ana Palma Fonte: Senar/MS
Foto Michael Franco - Sistema Famasul

Um fruto típico do Cerrado passou a representar mais do que tradição na zona rural de Nova Andradina: virou instrumento de mudança social e econômica. A partir de uma iniciativa desenvolvida dentro do Programa Jovem Sucessor Rural, do Senar/MS, universitários levaram conhecimento técnico e novas perspectivas de renda à Associação de Mulheres Produtoras do Assentamento Santa Olga, ao explorar o potencial produtivo e nutricional da macaúba.

A proposta nasceu da observação do território e da busca por soluções alinhadas à realidade local. “Vimos na macaúba a chance de criar uma cadeia de valor capaz de gerar renda e diversificar a produção da agricultura familiar. Por estarmos no Cerrado, fazia sentido escolher um fruto do próprio bioma como foco”, explica João Vitor Lima, integrante do grupo.

Chamados de Guardiões do Cerrado, os jovens que lideraram o projeto não têm formação em ciências agrárias, mas já mantinham uma relação próxima com o meio rural por meio de ações da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, como o Programa de Capacitação em Empreendedorismo Rural (PCER). Essa vivência prévia foi fundamental para que enxergassem o campo como espaço de inovação.

O ingresso no Programa Jovem Sucessor Rural ocorreu a convite do Sindicato Rural de Nova Andradina. Durante as capacitações, o grupo ampliou a compreensão sobre o agronegócio, enfrentou desafios práticos e estruturou um projeto que conquistou o terceiro lugar entre os participantes.

“Logo nas primeiras aulas percebemos o quanto o programa iria agregar à nossa formação. Os professores são extremamente preparados e, a cada encontro, saíamos mais motivados e com uma nova forma de enxergar o campo”, relata João Lucas Silva, outro integrante da equipe.

Foi nesse processo que a macaúba entrou definitivamente no radar do grupo. Até então pouco conhecida por eles, a palmeira revelou um enorme potencial: rica em nutrientes, sem glúten e com aproveitamento integral — da polpa à amêndoa —, a macaúba une sustentabilidade, saúde e geração de renda, o que lhe rendeu o apelido de “ouro do Cerrado”.

Com essa descoberta, os jovens decidiram direcionar o projeto para quem já produz no campo. A parceria com a Associação de Mulheres Produtoras do Assentamento Santa Olga fortaleceu um vínculo construído em experiências anteriores e ganhou novo significado. A macaúba passou a ser incorporada a pães, bolos, doces e produtos artesanais feitos pelas mulheres, agregando valor à produção, ampliando o portfólio e abrindo possibilidades de acesso a novos mercados, como a merenda escolar.

O intercâmbio de conhecimento também fez parte do processo. O grupo promoveu um dia de campo com uma produtora de Aquidauana que já possui agroindústria de derivados da macaúba, permitindo que as mulheres do assentamento aprendessem diretamente sobre manejo, processamento e comercialização.

Os resultados foram sentidos rapidamente. Para a associação, o projeto representou retomada de atividades, fortalecimento coletivo e novas perspectivas de futuro. Ideias que estavam engavetadas ganharam fôlego, e o conhecimento compartilhado trouxe mais autonomia às produtoras.

“Foi uma verdadeira virada para a nossa associação. Tínhamos projetos parados e, com a macaúba, tudo começou a andar novamente. Queremos conquistar nossa independência financeira e acreditamos que estamos no caminho certo”, afirma a presidente da associação, Delma Cauz.

O próximo passo dos Guardiões do Cerrado é transformar o projeto Macavida em uma startup, com o objetivo de difundir o uso da macaúba em diferentes regiões do país e posicionar o Cerrado como referência em inovação e sustentabilidade. Uma construção coletiva que evidencia o impacto do Senar/MS ao conectar juventude, conhecimento e mulheres do campo, promovendo transformação social e econômica.

“Desde o início, a nossa ideia nunca foi apenas competir por um prêmio, mas deixar um legado. Algo que pudesse beneficiar não só a nossa comunidade, mas também outras ao redor”, conclui João Lucas.

Jovem Sucessor Rural

Criado pelo Senar/MS, o Programa Jovem Sucessor Rural é uma iniciativa pioneira voltada à formação de novas lideranças no campo. Destinado a jovens ligados ao meio rural, o curso aborda temas como sucessão familiar, inovação, empreendedorismo, responsabilidade social, gestão no agronegócio, comunicação e desenvolvimento pessoal.

Com duração de até nove meses, o programa é gratuito e realizado em parceria com os Sindicatos Rurais de diversos municípios. As atividades ocorrem duas vezes por mês e incluem aulas teóricas, dinâmicas práticas, oficinas, visitas técnicas e o desenvolvimento de projetos voltados à solução de desafios reais do setor agropecuário. Ao final, as melhores iniciativas são reconhecidas por meio de uma premiação, incentivando ideias com alto potencial de impacto no campo.