Mato Grosso do Sul terminou 2025 com redução recorde no número de queimadas, registrando o menor resultado dos últimos 27 anos. E, em 2026, a quantidade de focos segue abaixo das médias históricas. Esse cenário se relaciona à combinação de campanhas de conscientização, ações preventivas, monitoramento e avanços em políticas públicas voltadas ao manejo do fogo. Entre essas iniciativas, está a Campanha Fogo Zero, instituída pela Lei 6.477/2025 , aprovada pela Assembleia Legislativa (ALEMS) em setembro do ano passado.
Além dos danos ambientais, como perda de biodiversidade, destruição da vegetação nativa e impactos sobre a fauna, as queimadas também afetam a saúde pública, as comunidades rurais e ribeirinhas e setores econômicos, com destaque, o de florestas. Esses prejuízos justificam iniciativas, como a Campanha Fogo Zero, que busca ampliar a cultura de prevenção aos incêndios florestais, incentivando ações educativas, cursos de capacitação e medidas voltadas à proteção das áreas de floresta do estado.
Autor da Lei 6.477/2025, o deputado Pedrossian Neto (Republicanos) afirma que o enfrentamento das queimadas precisa ser tratado como prioridade ambiental e econômica. Segundo ele, Mato Grosso do Sul tem um patrimônio ambiental estratégico e depende da conscientização coletiva para reduzir os riscos de incêndios. “O nosso estado tem um patrimônio ambiental enorme e a gente precisa ter a consciência de que combater as queimadas é uma prioridade”, afirmou o parlamentar. Para ele, o debate também envolve diretamente a proteção do setor produtivo e da infraestrutura ligada às florestas plantadas.
O deputado destacou ainda o crescimento do setor de celulose no estado, que hoje conta com cerca de 2 milhões de hectares de florestas plantadas. “Esse maciço florestal precisa de uma estrutura de proteção séria”, considerou. De acordo com Pedrossian Neto, a Campanha Fogo Zero, realizada anualmente no mês de maio, tem justamente o objetivo de mobilizar produtores rurais, entidades e a sociedade antes do período de seca. “A ideia é mobilizar todo mundo agora, antes da seca, para evitar prejuízos e garantir que o estado continue crescendo com responsabilidade”, afirmou.
Série histórica do INPE mostra menor número de focos
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que Mato Grosso do Sul registrou em 2025 o menor número de focos ativos de queimadas desde o início da série histórica, em 1988. Essa redução ocorre após períodos críticos registrados nas últimas décadas, marcados por secas severas e incêndios de grandes proporções, que assolaram extensas áreas, sobretudo do Pantanal.
Ao longo da série histórica, Mato Grosso do Sul apresentou oscilações importantes nos registros de queimadas. O maior pico ocorreu em 2002, com 14.543 focos ativos. Mais recentemente, os anos mais críticos foram 2020 (com 12.080 focos de incêndio) e 2024 (13.041 focos). Depois disso, a trajetória tem sido de quedas. E neste ano, o estado continua apresentando números relativamente baixos: excetuando-se abril (aumento expressivo de 252%), os demais meses de 2026 (até meados de maio) registraram quedas nos focos de incêndio na comparação com os mesmos períodos de 2025.
Especialista destaca o manejo integrado do fogo
Pesquisador em ecologia do fogo em áreas inundáveis, doutor em Biologia Vegetal com pós-doutorado na Universidade de Hamburgo, o professor Dr. Geraldo Alves Damasceno Júnior, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), considera, entre os fatores que contribuíram para a redução das queimadas, a implementação de ações que estimulam o uso do fogo de maneira controlada e planejada.
Na avaliação do professor, esse resultado de quedas nos focos de queimadas se relaciona a importantes campanhas realizadas tanto pelo governo do Estado quanto pelo governo federal. “Iniciou-se um marco regulatório com o objetivo de incentivar o uso do manejo integrado do fogo”, informou Damasceno. A utilização controlada do fogo previne os incêndios florestais.
Sobre as queimadas no Pantanal, o pesquisador explicou que o bioma tem uma dinâmica ecológica própria e depende de inundações e do fogo para a manutenção de seus processos naturais. “O Pantanal é um sistema dependente do fogo. É claro que existem áreas mais sensíveis, mas, de maneira geral, trata-se de um bioma que necessita tanto do fogo quanto da inundação para que os processos ecológicos ocorram”, explicou.
O pesquisador chama à atenção, por outro lado, aos eventos de fogo catastróficos, como incêndios na estação seca, que destroem grandes áreas. “Esse tipo de fogo não é benéfico, pois provoca prejuízos significativos: grandes extensões queimadas, morte de animais, perda de árvores, além de impactos econômicos, como destruição de pastagens e de infraestrutura das fazendas, e ameaça às comunidades ribeirinhas. Há também diversos problemas de saúde associados”, alerta o especialista.
O enfrentamento do problema deve combinar informação científica, conscientização e políticas públicas equilibradas, conforme observa o professor. Segundo ele, universidades e instituições de pesquisa têm papel importante na compreensão da ecologia do fogo, estudando inflamabilidade da vegetação, propagação das chamas e impactos sobre fauna e flora.
Confira aqui a entrevista na íntegra com o professor Geraldo Damasceno.
Livro infantil aborda preservação ambiental
A preservação do meio ambiente deve fazer parte da aprendizagem das crianças. Nesse sentido, a Comunicação Institucional da ALEMS produziu o livro infantil “Memórias de um Ipê Amarelo: A história de uma amizade nutrida pela preservação ambiental”. A obra integra a coleção “Cidadania é o Bicho” e busca abordar, de forma lúdica e acessível, os impactos dos incêndios florestais no Pantanal e a importância da preservação da biodiversidade.
Este livro como as demais publicações da coleção podem ser baixados gratuitamente. Clique na imagem e acesse o livro “Memórias de um Ipê Amarelo” e confira aqui todos os títulos.