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Semana Estadual da Pessoa Idosa joga luz sobre país que envelhece e já supera número de jovens

Pela primeira vez há mais idosos do que jovens vivendo no Brasil. A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao apre...

25/09/2026 às 08h37
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MS
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Idosas atendidas no Instituto Caminhos da Justiça Social em Campo Grande
Idosas atendidas no Instituto Caminhos da Justiça Social em Campo Grande

Pela primeira vez há mais idosos do que jovens vivendo no Brasil. A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao apresentar os dados mais recentes sobre a população brasileira - o grupo de pessoas com 60 anos ou mais no País representa cerca de 15,8% do total, o que corresponde a aproximadamente 32 a 35 milhões de brasileiros. O levantamento acende um alerta: mais do que nunca é preciso discutir políticas públicas para esta importante parcela da sociedade. Em Mato Grosso do Sul , onde vivem 391,1 mil idosos (14% do total – aumento de 63% na última década) é realizada a Semana Estadual da Pessoa Idosa – 25 de setembro a 1º de outubro – por meio da Lei Estadual nº 4.796/2015

De acordo com último levantamento do IBGE, em 2023 o percentual da população idosa foi de 15,6%, ou seja, ultrapassou os 14,8% dos que têm entre 15 e 24 anos. No período de 2000 a 2023, a proporção de idosos (60 anos ou mais) na população brasileira quase duplicou, subindo de 8,7% para 15,6%. Em pouco mais de duas décadas, a população com 60 anos ou mais passou de 15,2 milhões para 33 milhões de pessoas. Além de fazer parte do Calendário Oficial de Eventos do Estado, o objetivo da lei é estimular práticas físicas e mentais para a terceira idade, trabalhar a conscientização sobre a importância da experiência dos idosos na sociedade e sensibilizar todos os segmentos para valorizar o papel da pessoa idosa.

Subsecretária de  Políticas Públicas para a Pessoa Idosa/MS Larissa Paraguassu  foto: Arquivo Pessoal
Subsecretária de  Políticas Públicas para a Pessoa Idosa/MS Larissa Paraguassu  foto: Arquivo Pessoal

Na prática são realizadas palestras, atividades médicas e exames e cursos durante a semana. Para a subsecretária de Políticas Públicas para a Pessoa Idosa/MS, Larissa Diniz Paraguassu, a Semana Estadual é um momento estratégico, mas o trabalho precisa acontecer durante todo o ano. “Nosso desafio é fazer com que a sociedade compreenda que envelhecer com dignidade é um direito e que o enfrentamento ao idadismo e às violências é responsabilidade de todos nós”, ressalta. Segundo ela, atualmente a Subsecretaria tem como prioridade fortalecer a política da pessoa idosa nos municípios. “Mato Grosso do Sul tem realidades muito diferentes, e precisamos fazer com que essa política chegue efetivamente aos territórios. É nesse sentido que temos avançado com o Programa Envelhecer é Legal, apoiando os municípios na estruturação e no fortalecimento de suas políticas, com planejamento, formação das equipes, conselhos e desenvolvimento de ações voltadas à garantia de direitos”, explica.

Para ela, esse período tem um papel muito importante, principalmente porque coloca o envelhecimento no centro do debate. “Mas não podemos imaginar que o preconceito e a violência diminuam apenas porque falamos sobre o assunto durante uma semana. O que essa mobilização faz é ampliar a informação, provocar reflexões e chamar a atenção da sociedade para situações que, muitas vezes, ainda são naturalizadas. E quando falamos em violência contra a pessoa idosa, não estamos falando somente de agressão física. Temos a negligência, violência psicológica, patrimonial, financeira, institucional e de diferentes manifestações do idadismo presentes no cotidiano”, destaca Larissa.

A subsecretaria investe ainda na formação continuada de gestores, técnicos e conselheiros, além de ações de inclusão e letramento digital e do fortalecimento da convivência intergeracional, por meio do programa Conectando Gerações. Para a subsecretária, o foco é justamente sair de ações isoladas e avançar na construção de uma política pública cada vez mais estruturada, intersetorial e presente nos municípios.

Outra questão apontada pela titular da Subsecretaria é sobre a condição física e mental dos idosos. Segundo ela, não se pode pensar a pessoa idosa apenas a partir da vulnerabilidade. São pessoas com trajetórias, experiências, autonomia e capacidade de participação.” Uma política pública moderna para o envelhecimento precisa proteger quando necessário, mas também promover autonomia, independência, convivência, participação social e protagonismo. O aumento da longevidade é uma conquista da sociedade. O nosso desafio, enquanto poder público, é fazer com que viver mais também signifique viver com direitos, respeito, autonomia e dignidade”, finaliza.

Cláudia Ricardo (em pé) atende mais de 90 idosos  foto: Daniela Benante
Cláudia Ricardo (em pé) atende mais de 90 idosos  foto: Daniela Benante

Instituto da Justiça Social

Quando se ultrapassa a barreira dos 60 anos, o acolhimento se torna essencial nesta fase da vida. Pensando nisso, a assistente social Claudia Regini Ricardo resolveu fundar o Instituto Caminhos da Justiça Social, localizado no bairro Tiradentes, em Campo Grande. É neste espaço que ela recebe cerca de 100 idosos, moradores da região, que buscam apoio, atividades físicas e mentais, além de muito carinho e atenção. Ela conta que começou atendendo algumas idosas acamadas, que não recebiam visitas. A maioria das pessoas atendidas por ela têm família, mas passam por uma situação semelhante: ficam sozinhas a maior parte do dia já que os parentes, geralmente os filhos, trabalham. “Comecei visitando uma ou duas idosas, com o tempo esse número foi aumentando e quando percebi já eram mais de quarenta atendimentos. Daí precisei alugar um espaço”, explica.

Para Cláudia, os idosos são injustiçados, a família mesmo não dá apoio, acolhimento, não consegue ouvir os mais velhos. “A maioria pede atenção. Os mais próximos não têm paciência com eles, não conseguem ouvir uma história”, destaca. Por isso ela dedica praticamente o dia todo para atender esses idosos. Josefa Maria de Souza, 74 anos, frequenta o instituto há dois anos, desde que sofreu a perda do filho único, quando teve depressão. Hoje ela se beneficia da terapia, que a ajudou muito a superar o sofrimento. “Tenho família, mas aqui é onde me sinto em casa”, conta. Heloísa Menezes, 63 anos, frequenta o local desde o início, mesmo não sendo aposentada. Ela participa da terapia, não falta uma semana. “Aqui uma ajuda a outra. Todas conversamos, temos alegria em viver”, garante.

José Dias Furtado foi abandonado pela família
José Dias Furtado foi abandonado pela família

Marcilene de Oliveira, 46 anos, e Maria Matilde dos Santos, 81 anos, são nora e sogra e frequentam juntas o Instituto. Dona Maria faz curso de crochê e bordado, além de participar das atividades físicas e terapia. “Aqui a gente não vê o tempo passar. Fiz muitas amizades”, conta Maria. Já Marcilene acompanha a sogra e também se beneficiou das atividades, mesmo não sendo ainda idosa. O Instituto também abriga homens. José Dias Furtado, 77 anos, cadeirante, morava em fazenda, onde trabalhou a vida toda. Separado da esposa e doente, veio para Campo Grande, onde foi recebido por um sobrinho. Mas acabou sozinho em uma quitinete, onde não tinha nem eletrodomésticos. Foi quando a assistente social Claudia o conheceu e passou a visitá-lo. “Recebi muita ajuda. Hoje aqui é minha casa. Aqui é vida, minha morada” relata emocionado.

O Instituto Caminhos da Justiça Social está localizado na Rua Diva Ferreira, 852, no bairro Tiradentes, em Campo Grande. Funciona de segunda a sexta-feira das 13h às 17h com atividades gratuitas. E na última semana do mês é realizado um bingo. A assistente social Cláudia Ricardo enfatiza que o local é mantido com doações.

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